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Postado em 25 de junho de 2025 Por Em Brasil, Destaque, noticias E 280 Views

Relatório da OMS alerta para escassez global de profissionais da Enfermagem

Via CNTS

Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado em maio deste ano, acende um alerta global sobre a crescente escassez de profissionais de enfermagem, o que compromete tanto a segurança desses trabalhadores quanto a qualidade dos serviços de saúde prestados em todo o mundo.

Atualmente, a força de trabalho global de enfermagem chegou a 29,8 milhões em 2023, um aumento de quase 2 milhões em relação a 2018. Apesar desse crescimento, o número ainda é insuficiente para atender às necessidades globais, já que a projeção de déficit para 2030 é de 4,1 milhões de profissionais de enfermagem, principalmente nas regiões mais pobres do planeta.

O relatório também aponta uma queda preocupante na formação de novos profissionais. Em 2018, havia 81 enfermeiros graduados para cada 10 mil habitantes; em 2023, esse número despencou para apenas 24. A recomendação da OMS é de, no mínimo, 30 enfermeiros para cada 10 mil habitantes.

Na região das Américas, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), 40% dos países possuem menos profissionais de enfermagem do que o recomendado, mesmo que esses trabalhadores representem 63% de toda a força de trabalho em saúde na região.

Outro dado que chama atenção é que a força de trabalho em enfermagem é relativamente jovem: 33% dos profissionais têm menos de 35 anos, enquanto 19% estão prestes a se aposentar na próxima década. Nos países de alta renda, as aposentadorias tendem a superar o ingresso de novos profissionais, o que agrava ainda mais o risco de escassez e compromete a formação de novas gerações.

O relatório da OMS também denuncia as precárias condições de trabalho que assolam a categoria em nível global. Entre os principais problemas estão a ausência de políticas específicas para jornada de trabalho, vínculos empregatícios precários, sobrecarga, falta de programas de saúde mental e bem-estar, além de salários desvalorizados.

No contexto brasileiro, a situação exige atenção urgente. A falta de políticas públicas estruturadas e de ações efetivas por parte das autoridades ameaça agravar a já preocupante situação dos profissionais da enfermagem. A categoria enfrenta uma rotina marcada pela sobrecarga de trabalho, salários vergonhosos, assédio moral, esgotamento físico e mental, além de altos índices de burnout e problemas psicológicos. O que tem levado muitos profissionais a abandonar a profissão.

Diante desse cenário alarmante, a CNTS reforça a necessidade imediata da aprovação da PEC 19/2024, que representa um avanço fundamental para a valorização da categoria. Além disso, é indispensável a aprovação de pautas estruturantes, como a regulamentação do dimensionamento adequado das equipes, a redução da jornada de trabalho e, sobretudo, a garantia de condições dignas, seguras e humanas de trabalho.

O relatório da OMS é categórico: sem investimentos robustos na formação, na criação de empregos e na valorização profissional da enfermagem, os sistemas de saúde não conseguirão assegurar acesso, qualidade e equidade no atendimento.

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