Postado em 8 de março de 2018 Por Em Destaque, Sem categoria E 233 Views

No 8 de março Hospital Universitário promove discussão sobre assédio sexual no local de trabalho

Foto: Sandro Lima / Tribuna Hoje

Como parte da programação do 8M – Março é delas no HU-UFSC, ocorreu no Auditório do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago a Roda de conversa ‘Precisamos falar sobre o assédio sexual’, no dia 8 de março. A enfermagem é uma profissão com presença majoritária de mulheres. Um levantamento feito pelo pelo IBGE revelou que 73% dos funcionários que trabalham na área hospitalar são do sexo feminino. 

As alunas, residentes, professoras que atuam no HU-UFSC participaram da conversa que teve como organizadora a enfermeira Silvana Pereira. Foram debatidas formas de sanar esse problema que ainda hoje afeta as mulheres que trabalham no hospital. 

“O silêncio permeia o nosso ambiente de trabalho”. Essa frase dita por Silvana Pereira foi um dos pontos debatidos pelas mulheres presentes no evento. Para elas, o medo e a naturalização de situações que caracterizam o assédio sexual são as principais barreiras para a mulher realizar uma denúncia. Ainda hoje, mesmo que a mulher denuncie o autor do assédio, é comum que se peça provas do ocorrido.

Há 9 anos, a 5ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região – Campinas/SP condenou um médico por assédio sexual cometido contra uma trabalhadora do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo. Condenado em 1ª instância, o empregador recorreu ao TRT dizendo não haver provas sobre os fatos e que a juíza da vara trabalhista decidiu se baseando em suposições. Segundo o representante do hospital, as testemunhas da trabalhadora não presenciaram o assédio. Como o assédio sexual não se pratica em locais públicos, o magistrado entendeu que a prova não precisa ser ocular, ao menos na esfera trabalhista.

De acordo com o artigo A imagem corporal da enfermeira como objeto sexual na mídia: um assédio a profissão a imagem da profissional da enfermagem é veiculada por meio de  informações que exploram o corpo da enfermeira como objeto sexual, o que ajuda na formação de um imaginário prejudicial a profissão.  “É comum durante pesquisas em sites de buscas, com destaque aos que oferecem imagens e figuras, ao se digitar a palavra “enfermeira”, “enfermera” ou “nurse”, levantar muitos arquivos (fotos, desenhos, figuras, textos, propagandas, etc…), os quais traduzem a figura dessa profissional de forma erotizada e depreciativa, instigando o leitor a referenciá-la como objeto sexual” (Trecho da pesquisa de Julio Cesar Colpo, Vania Carla Camargo e Simey Ariane Mattos).

O sindicato e a Federação são aliados e defensores dos direitos das mulheres, assim como prezam pela ética e boa conduta dos profissionais em local de trabalho. A CNTS, entidade nacional a qual a Fetessesc é filiada possui uma série de cartilhas que abordam assuntos como Assédio moral e Violência Doméstica, com o intuito de informar e conscientizar os trabalhadores e as trabalhadoras da saúde. Acesse aqui. 

 

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